Quíron em Peixes

 

Quíron aponta onde se escondem nossas feridas mais profundas, onde doamos o que não temos. Contribuímos com os outros, mas não conseguimos nos ajudar.
Em Peixes – problemas na gestação colocam obstáculos desnecessários e tendem a não receberem os créditos de coisas que fazem. A prática da espiritualidade e as ciências ocultas são seus caminhos de cura.
Desde fevereiro de 2011 e até março de 2019 Quíron estará em Peixes trazendo a vítima ou o salvador que existe em nós. Podemos querer fugir da realidade, a solução será usar a criatividade e a imaginação para gerar alegria para todos. Devemos cuidar com falsos líderes e mestres.
“Grande parte de vosso sofrimento é por vós próprios escolhido”. É a amarga porção com a qual o médico que vive dentro de nós cura o nosso Eu doente. Confiai, portanto, no médico e bebei seu remédio em silêncio e tranquilidade, pois sua mão, embora pesada e dura, é guiada pela suave mão do Invisível.
O Astrólogo (profissão regida por Quíron) português António Rosa diz: “Com a experiência, fui aprendendo que me era muito útil saber qual a doença, ou doenças, dos meus clientes, se possível nos primeiros 10 minutos da consulta, pois fico com uma visão metafísica muito completa da pessoa que está à minha frente e, assim, sou mais eficaz no meu trabalho e não o termino completamente esgotado.
Por exemplo, se me dizem que sofrem de Fibromialgia, sei quase que mecanicamente que tenho à minha frente alguém cuja maior tendência é ser a «vítima», culpando tudo e todos, das ocorrências da sua vida. São das consultas mais difíceis de se dar. Não caiam na asneira de sugerirem médicos e terapeutas, pois passarão a fazer parte imediata da lista dos seus «culpados», pois nada baterá certo e haverá sempre um dedo a apontar, com a vozinha mais meiga do mundo”.
Quíron em Peixes ou na casa 12 tem um forte sentido do transpessoal e de coletivo, uma forte identificação com o caos, com aquilo que se dissolve e um desejo secreto de regressar à unidade, ao uno e indivisível.
Outro vínculo a este signo e casa é a possibilidade da pessoa sentir o isolamento, as tribulações e as incapacidades que a deixa impotente perante a vida e ao mundo, se tornando fonte de problemas que determinam dificuldade em se encontrar e definir a individualidade, dar uma direção pessoal para a vida. Aí surgem os inimigos ocultos, vítima de enganos, desilusões, sacrifícios e, eventualmente, tentar escapar destas situações através do uso de drogas. Se bem orientada pode se dedicar à meditação e a processos de relaxamento, onde, com relativa facilidade atinge o êxtase.
Este posicionamento pode gerar estranhos sentimentos de culpa como se fossem os responsáveis por tudo que acontece. Raramente sabem a causa desta sensação que os acompanha pela vida. Devido à sensação de serem vítimas permanentes, somatizam essas questões, atraindo para si doenças graves.
Quíron em Peixes ou na casa doze reflete uma grande sensibilidade para com o sofrimento, atenção para com os problemas coletivos pouco divulgados ou ocultos. Esta posição pode gerar terapeutas, curadores e reformadores que procuram no inconsciente coletivo as forças e as soluções para ultrapassarem os problemas crônicos da humanidade. Muitos deles trabalham longe da atenção pública.
Com este posicionamento a pessoa pode assumir uma personalidade desapegada e totalmente despojada perante a vida, mas de forma consciente e criativa, procurando ultrapassar as limitações e transmutar os seus próprios sofrimentos, complexos cristalizados através da auto renúncia doadora e da prática da espiritualidade, regenerar a si e aos outros.
As terapias que podem ter bons resultados para estas pessoas são os cristais, cura quântica, limpezas da aura e energéticas.

Netuno e Quíron em Peixes: A Chave para a Cura Planetária



O Magnífico encontro do Mestre Curador QUÍRON
com o
Místico do Zodíaco NETUNO!


Quíron ingressou em Peixes em Fevereiro de 2011 e transitará até Fevereiro de 2019.
Netuno ingressou definitivamente em Peixes em Março de 2012 e ali ficará até 2026.
A conjunção de Netuno e Quíron em Peixes confere um elevado potencial de cura e de transformação espiritual a toda a humanidade. Será um ciclo de nove anos (uma gestação) em que o ímpeto de se religar com o Cosmo ou com a nossa essência divina vai exigir grandes sacrifícios, pois seremos impelidos a mergulhar no oceano pisciano - o inconsciente - e despertar para nossa “eterna imortalidade” com uma consciência maior.
Quíron, o curador ferido, é o Mestre ensinador que mostra nossas feridas mais profundas e também nosso dom de curá-las, revela a forma como ferimos os outros e como somos feridos. Sua conjunção com Netuno é a oportunidade de interiorizarmos nosso Mestre Interior e manifestá-lo ao mundo, pois Quíron tem o dom de se compadecer com o sofrimento coletivo, experiência que sempre nos lembra a nossa condição humana, mas que, ao mesmo tempo, não nos deixa esquecer nosso potencial divino ou sobre-humano; é nesse potencial que encontramos a possibilidade de nos transformarmos em verdadeiros curadores da alma humana.
Quíron em Peixes costuma personificar o arquétipo da “vítima do mundo”, que cria no indivíduo sentimentos exacerbados de culpa, vitimização, escapismo ou isolamento; ou do “salvador do mundo”, trazendo a sensação de desligamento do mundo cotidiano ou o desejo de abandonar o mundo para cuidar da salvação espiritual.
Netuno confere um contato mais profundo com a dimensão astral e seus misteriosos mecanismos; é a espiritualidade e a sublimação dos dons e potenciais da alma, habilidades mediúnicas e paranormais ou sobrenaturais. Rege o reino das forças invisíveis ou da Fé naquilo que não se pode ver nem tocar, mas que é profundamente sentido na “pele”; essas forças invisíveis guardam um enorme poder sobre as emoções, os sentimentos e a sensibilidade humana.
Netuno tem o dom de dissolver tudo o que toca e, em Peixes, pode abrir as fronteiras do imaginário, da inspiração, dos sonhos e de todos os sentidos humanos ou dos estados alterados da consciência, pois a experiência pisciana pode transbordar os sentidos humanos provocando verdadeiras experiências transcendentais ou PES (percepção-extra-sensorial).
Este pode ser um período de uma intensa busca por unificação e identidade espiritual e por um contato com o nosso Mestre Interior, que vai provocar o contato com as feridas mais profundas, conteúdos adormecidos no inconsciente. Mas as necessidades do mundo material que impõe um sistema de sobrevivência que implica valores, crenças, ideais e segurança podem ser fortemente abaladas por este contato e provocar muitos conflitos internos.
Do outro lado desse eixo está o signo de Virgem ou Casa VI, do qual Quíron é co-regente. Virgem lida com a saúde, higiene, medicina, nutrição, terapias e todas as habilidades que exigem minúcias; o trabalho ou serviço que prestamos aos outros como um ofício (sacrifício ou sacro-ofício), é o servir ou ser útil de alguma forma à humanidade. A 6ª Casa também é considerada a casa do xamanismo. O xamã em seu voo extático, em transe, procura e guia as almas perdidas e doentes, facilitando sua entrada nos planos ou na passagem deste mundo para outros mundos. Na tradição xamânica, o animal mítico que guia o xamã em sua trajetória entre os mundos é o Cavalo.
Trata-se de um animal funerário e psicopompo, um guia ou condutor que mostra o caminho, representa uma ponte entre o mundo da forma e o mundo do invisível. Esta figura mítica tem forte relação com a figura personificada por Quíron, o Centauro.

A Dor que ensina

É inevitável que a evolução humana se dê pelo amor e compaixão ou pela dor e sofrimento. Também sabemos que todo processo de cura profunda, verdadeira e definitiva é precedida por uma tremenda crise, uma catarse que provoca o expurgo de todo o conteúdo que contém em si o potencial da dor e do sofrimento humano, seja esta no corpo, na mente ou na alma.
Neste ponto de intensa aflição, a emoção e a razão já não servem mais como ferramentas para aliviar o sofrimento humano, pois a raízes da ferida parecem estar em outros níveis ou esferas. Muitas vezes, quando a dor não é conscientizada e atinge grande intensidade, o indivíduo é levado a buscar alívio através do entorpecimento dos sentidos. Uma fuga da realidade que, consequentemente, provoca o contato com níveis energéticos mais baixos ou do submundo.
Acredito que grande parte das doenças psicossomáticas de nosso tempo estão ligadas ao fato de que ignoramos a existência de um mundo mais expandido e que possui forças poderosas que atuam e influenciam, direta e constantemente, nossas vidas e nossa realidade.
Quíron em Peixes mostra as mazelas ou miséria humana, e com este aspecto podemos ver o aumento exacerbado de todas as vicissitudes humanas, como o consumo e abuso da bebida, das drogas e do sexo; práticas criminosas e ilegais, o auto exílio social e o surgimento de muitas doenças mentais e psicossomáticas.
Mas esse aumento não será apenas na quantidade, será também na qualidade, pois Quíron e Netuno podem “potencializar seus efeitos”.
Isso ocorre porque todos nós estaremos hipersensíveis a qualquer contato netuniano ou com a dimensão astral. Assim o consumo de bebida alcoólica, de drogas, inclusive as medicamentosas, pode potencializar seus efeitos de forma surpreendente.
A dor não conscientizada pode gerar também sentimentos de culpa no indivíduo ou sacrifícios exagerados em ajudar os outros, este comportamento pode indicar uma tendência a evitar um contato consigo mesmo, com suas feridas, mágoas e perdas emocionais não resolvidas.
Pode haver também a projeção desses sentimentos no outro, levando o indivíduo a relacionamentos confusos, amores platônicos ou paixões irreais e inacessíveis e de dependência patológica, apego excessivo ou sentimento de abandono.
Sentimentos de culpa, via de regra, implicam um “castigo”; seja este consciente ou inconsciente, sempre irá atrair (por afinidade) situações dolorosas como acidentes, doenças ou perdas. Por isso é importante que o indivíduo transforme culpa em responsabilidade; o senso de responsabilidade com sua vida, com os outros, com o planeta, etc; pois toda forma de vida está interligada no mesmo sistema, e Quíron ensina que ao curar o outro, estaremos curando a nós mesmos, esta é a chave para a cura planetária.
É compreensivo que, depois de dois mil anos tendo a figura de Cristo como mártir salvador, a humanidade busque a salvação na dor, no castigo e no sofrimento, mas Quíron em Peixes vai exigir que busquemos o Mestre dentro de nós mesmo e não mais fora, na figura do mártir.
Muitos líderes religiosos podem surgir neste período se auto proclamando salvadores, mas podem esconder atrás de sua grandeza espiritual um grande complexo de superioridade e orgulho.
É necessário refletir sobre “do que” ou “de quem” desejamos ser salvos?!
Pois o delírio humano na busca de salvação já causou e ainda causa grandes tragédias, sejam estas coletivas, como as guerras santas ou individuais, como os abusos de toda espécie cometidas pelo “clero” contra seus discípulos.
Netuno e Quíron em Peixes mostram que a salvação está dentro de nós, e aqueles que pela Fé ferem e humilham por esta serão feridos em sua pseudo-auto-grandeza-espiritual.
Quíron funciona como Marte em potência, pode se tornar um Guerreiro e enfrentar qualquer desafio com tremenda coragem. Mas a energia Quirótica mal resolvida, negada ou reprimida pode se transformar em um verdadeiro tirano agressivo e de ações criminosas e violentas.

A Arte de Curar

Quíron foi o Mestre Ensinador de muitos heróis míticos, entre eles, Jasão e os Argonautas. Entre as várias artes que dominava era também o Mestre das Artes Adivinhadoras e Astrólogo. Quíron aceitou sua dor - o abandono e rejeição de seus pais - e transformou seu sofrimento em arte; passou toda sua vida a ensinar e curar. Este pequeno asteroide que transita entre as órbitas de Saturno e Urano, é considerado a ponte que liga a matéria/corpo (Saturno) ao céu/espírito (Urano).
A genialidade de Urano precisa da materialidade de Saturno para dar forma e manifestar suas criações, assim como Saturno precisa da energia elétrica de Urano para preencher e dar vida à sua forma!
A localização e trânsito de Quíron no Mapa indicam quando e como o indivíduo é desafiado a superar a adversidade e a mediocridade, obriga o indivíduo a ser ele mesmo e a superar seu sofrimento, aí está a sua arte!
Netuno e Quíron conferem a sublimação dos dons e talentos da alma, potencializa a inspiração, a imaginação, a sensibilidade e a criatividade.
Será um período de criatividade exacerbada, em que o indivíduo será levado a manifestar na matéria as mais belas criações que a alma humana pode conceber, principalmente na música, na pintura, na literatura, na escultura, no cinema, na televisão, fotografia e em todas as artes visionárias.
Podem surgir grande terapeutas, médicos, psicólogos e, na medicina, pode haver uma nova abordagem na forma de tratamento dos males que afligem a alma e também novas descobertas na cura para os males físicos e mentais. Os movimentos em defesa da vida e do planeta terão mais força e destaque diante de possíveis catástrofes ecológicas.
Também surgirão líderes espirituais que estarão conectados com as necessidades de sua comunidade trazendo uma nova realidade e a renovação da Fé. Neste período pode-se obter uma orientação ou uma dádiva mágica que redirecione o indivíduo para seu verdadeiro caminho.
Quíron esteve em Peixes na década de 60 (1960 -1969). Esta foi a geração chamada de “flower children” - os filhos da flor, e esses indivíduos agora estão na faixa etária dos 46 a 52 anos. Eles estarão vivenciando seu primeiro e único retorno de Quíron em Peixes. Este será um trânsito tremendamente espiritual, em que teremos a chave que abre as portas para nossa verdadeira essência.
A década de 60 foi marcada por diversas manifestações culturais e artísticas e movimentos pela paz, amor e liberdade; houve vários avanços tecnológicos e o surgimento das drogas psicodélicas; mas também houve o colapso da sociedade com o início de guerras e uma onda de opressão por governos militaristas.

Veja abaixo alguns fatos que marcaram essa década.


  • Abril de 1960 É lançado o primeiro satélite meteorológico e o primeiro Computador eletrônico,   o RAMAC 305, pela empresa IBM.
  • Abril de 1961 Yuri Gagarin é o primeiro homem a entrar no espaço.
  • Agosto de 1961 é construído o Muro de Berlim.
  • Maio de 1963 - TV Tupi faz a primeira transmissão em cores da televisão brasileira.
  • Novembro de 1963 O presidente J. F. Kennedy é assassinado.
  • Março de 1964 Golpe militar no Brasil, tira do poder o presidente João Goulart. 
  • 1965 É transmitido pela televisão o I Festival de MPB.
  • Fevereiro de 1965 Início da Guerra do Vietnã.
  • Em 1966 - Tem início a Revolução Cultural na China.
  • Janeiro de 1967 - O ano da flor; os hippies convocam aReunião de Tribos.
  • Junho de 1967 - Guerra dos Seis Dias. Israel ataca Síria, Egito e Jordânia.
  • Dezembro de 1967 - É criada a FUNAI (Fundação Nacional do Índio).
  • Outubro de 1967 - Che Guevara é executado na Bolívia.
  • 1968 - O movimento hippie ganha força e aumentam os protestos nos Estados Unidos e no mundo contra a Guerra do Vietnã.
  • 1968 - É assassinado Martin Luther King. 
  • 1968 - É lançado no cinema: 2001, Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick. 
  • 1968 - Inauguração do MASP, Museu de Arte de São Paulo. 
  • Abril de 1969 - Criação da Arpa Net, o embrião da Internet
  • Julho de 1969 - Neil Armstrong é o primeiro homem a pisar na Lua com a Apollo11.
  • Em 1969 É realizado o Festival de Woodstock, símbolo da união do Rock, Paz, Amor.
  • Em 1969 - John Lennon e Yoko Ono realizaram o primeiroBed-in for Peace, em favor da paz, realizados em uma cama de hotel.
  • Outubro de 1969 É enviada a mensagem de e-mail entre computadores distantes.
  • 1970 O Brasil ganha a Copa do Mundo realizada no Brasil em plena repressão militar.


A conjunção de Netuno e Quíron em Peixes é para toda a humanidade uma grande oportunidade de crescimento e de expansão da consciência, de equilibrar nosso lado divino e espiritual com nossa parte animal/mortal, pois somos ambos, somos seres humanos.
Muitos estarão elevando sua vibração para a parte mais sutil humana, que lida com as necessidades da alma, e muitos outros estarão vibrando em sua parte mais grosseira, que lida com as necessidades do corpo. De qualquer forma o crescimento é inevitável, cada um em sua escala própria de evolução.
Nosso planeta, enquanto ser vivo, também está passando pelo mesmo crescimento e se sutilizando da mesma forma. Estaremos em contato mais direto com a matéria astral, quanto mais consciência dela tivermos, menos seremos afetados e atingidos de forma negativa por ela, pois o astral contém em si tudo o que a mente subconsciente produz.




Quíron, Metanóia e Consciência


O ser humano tem uma estrutura constitutiva muito complexa. Além da sua constituição do ponto de vista energético, podemos citar diretamente a constituição do ponto de vista bio-fisiológico, com a imbricação do funcionamento dos sistemas orgânicos, nervosos, do endócrino e do imunológico; a complexidade desse ‘organismo vivo’ (como um todo) nos permite perceber e expressar como e quanto é complicada a questão do ego versus a possível consciência de si, ao alcance do indivíduo como tal.

Se somarmos a essa percepção o fato de que usualmente ninguém vive sozinho, no sentido de que depende de um grupo familiar para nascer, crescer etc e do grupo social para se relacionar e exercer atividades profissionais, é facilmente aceitável que o contato de um indivíduo consigo mesmo (com seu interior, seus recursos, qualidades e talentos, bem como suas limitações, — aí incluída sua carga genética) não pode ser mecânico, mas sim, depende de um esforço consciente e (de preferência) consistente ao longo de sua vida.

Assim sendo, o contato e vínculo de um indivíduo com seu processo de individuação – que inclui a questão da saúde, num sentido amplo – depende do reconhecimento do e do interesse por seu ser interior. Saliente-se que esse interesse reflete um processo dinâmico, que pode se iniciar em qualquer época da vida do indivíduo, desde muito cedo até muito tarde. Independentemente disso – e enquanto isso, salvo exceções – o indivíduo se percebe na contingência de existir dentro do grupo familiar e do grupo social, nos quais deve desempenhar funções, que requerem sua participação no mundo exterior.

Em decorrência, o modo e a forma como o indivíduo se relaciona consigo mesmo e com o mundo que o cerca refletem a dinâmica do processo do seu bem-estar, que inclui a questão de sua saúde (no sentido amplo). Caso o indivíduo reconheça a necessidade do contato e vivência (do e) com seu ser interior, poderá colocar-se diante do processo que se tem chamado de metanóia (uma mudança do processo mental, um voltar-se para uma nova direção, para a Luz), o qual conduzirá a um desengajamento em relação à identificação (pura e exclusiva) com o mundo material e a um engajamento num processo de amadurecimento individual (ou individuação, no sentido estrito), o qual em última instância poderá conduzir à religação com o Self.

E podemos acrescentar que o desenvolvimento do ego na direção da totalidade só vai ser conseguido com a integração do corpo nesse processo, integração essa que implicará o equacionamento da referida questão da saúde. Um sintoma, qualquer que seja, quando visto como símbolo, expressa a necessidade de integrar um elemento novo ou reprimido na consciência.

Para James Hillman [Hillman, James. The thought of the heart., Dallas: Spring, 1981], fatores como sentimentalismo da personalidade, eficiência a todo custo, engrandecimento do poder e simples fervor religioso são fatores atuais que podem levar a doenças, destacadamente as cardíacas. Para ele, o infarto (que vem de farto, farctus = estufado, cheio) revela que o coração do homem moderno está congestionado pelas riquezas que não entraram em circulação, ou que foram constrangidas por estreitamentos, não tendo permissão para passar, riquezas estas que vêm do mundo da fantasia e da imaginação.

Poderíamos dizer que o ego, ao não dar passagem aos conteúdos inconscientes, aumenta a tensão interna, gerando angústia e ansiedades. Quando esses conteúdos estão associados a conflitos amorosos, por exemplo, o resultado pode ser uma sensação de disritmia e desarmonia amorosa. O coração doente expressa tanto a dissociação do ego com seu centro amoroso como a necessidade de religá-lo ao Self, para que a harmonia possa retornar.

Portanto, esse enfoque na religação do ego com o Self é fundamental para o estabelecimento do bem-estar do indivíduo – visto de maneira abrangente – e da sua saúde em particular, pois ele possibilitará o desenvolvimento do processo de individuação (Jung), que é importante para o ser humano. Ou seja, uma vez que o processo de individuar-se, de tornar-se o que a pessoa realmente é, resulta da interação do indivíduo também com o coletivo, quanto melhor essa sintonia com a própria essência, melhor o contato com o mundo ao redor — e o equilíbrio do ser integral se estabelece.

No seu trabalho clínico, um terapeuta, ao levar em conta o aspecto simbólico da doença orgânica, faz com que seu paciente entre em contato com imagens que emergem de seu inconsciente coletivo e pessoal, criando, deste modo, condições para uma compreensão mais profunda do dinamismo que se encontra alterado. Assim sendo, a relação do paciente com sua doença e recuperação está intimamente ligada ao seu processo simbólico.

Por outro lado, a inconsciência do significado simbólico dos problemas interiores mostra a nossa resistência em lidar com o dinamismo psíquico. Em conseqüência, podemos verificar que o sintoma corporal é um símbolo que expressa uma dissociação e revela um caminho. Depende do ego se ele vai ser compreendido, isto é, se vai ser dado a ele um significado ou se ele vai continuar sendo visto como algo que tem de ser eliminado ou ignorado. Essa eliminação, sem a consciência do significado, traz uma alta probabilidade de um sintoma aparecer e reaparecer, como atestam os inúmeros casos recorrentes de úlceras e doenças cardíacas, entre outros.

De acordo também com Denise Gimenez Ramos, [Denise Gimenez Ramos, A Psique do Coração, Cultrix, São Paulo]

“A bússola do ego em direção à totalidade é dada pelo símbolo. Um desvio de rota também é revelado pelo símbolo e representado, com freqüência, pelo sofrimento. Mas, assim como o símbolo aponta o erro, pelo sofrimento envolvido, também aponta, pela compreensão de seu significado, a correção a ser feita, isto é, o que deve ser sacrificado. Entretanto, simplesmente pela forma com que um símbolo se apresenta (doença ou saúde), não podemos dizer se ele aponta para a necessidade de uma correção ou se revela uma próxima etapa a ser atingida no desenvolvimento normal. Em geral, as intenções se mesclam e de início a consciência não as discrimina.”


De um modo geral, os processos terapêuticos procuram diagnosticar o maior número possível de elementos que restrinjam a resposta natural do ser, desbloquear as suas restrições, encorajá-lo a confrontar seus desafios e desenvolver seus talentos e, em última instância, ajudá-lo a se situar na expressão espontânea de sua energia vital. Nesse sentido, um estudo astrológico (que deve incluir a análise do mapa natal, de progressões e de trânsitos num dado momento) pode ajudar de maneira inestimável um profissional qualificado para tanto; e a defesa deste autor é de que Quíron é muito importante nesse estudo.

Tendo como referência um enfoque amplo dos ciclos planetários considerados mais importantes (de Saturno a Plutão, passando por Quíron) –, do ponto de vista dos desafios, ou seja, das crises propiciadas pelas quadraturas, oposições e retornos, — pode-se perceber que ninguém passa incólume por notáveis influências na década dos 40aos 50 anos, porque então se dá (sempre em termos aproximados) =

40 anos oposição de Urano em trânsito a Urano natal;
42/43 anos quadratura de Netuno em trânsito com Netuno natal;
44/45 anos segunda oposição de Saturno em trânsito a Saturno natal;
45/46 anos quadratura de Plutão em trânsito com Plutão natal…

De um modo geral, pode-se dizer que quem teve ou tiver boas sintonias ao longo dessa década, chegará aos 50 anos sentindo uma espécie de renascimento, que ocorre logo após um dos retornos de Júpiter (aos 48 anos); e é por isso que mais adiante se fala em redirecionamento, que tem a ver com a metanóia citada anteriormente.

E então, é aqui que se pode incluir o desafio de Quíron, cuja órbita se situa a maior parte do tempo entre a de Saturno e a de Urano, constituindo basicamente uma ‘ponte’ entre ambos e cujo ciclo (retorno) se dá por volta dos 51 anos da pessoa; como sua órbita é bastante excêntrica e segue uma elipse, passa muito mais tempo em alguns signos do que em outros, razão por que suas quadraturas e oposições variam muito em percurso (tempo), dependendo do ‘lado’ do Zodíaco em que se encontra (mas não se mencionam aqui indicações a respeito delas, porque isso seria muito extenso – v. também o artigo ‘Quíron e seu mito’, neste site).

Assim sendo, do ponto de vista da ‘cura’ do ser humano, a ‘chacoalhada’ final (esticando aquela década para cerca de 11 anos) se dá com esse retorno de Quíron. Em seu ótimo livro Quíron e a jornada em busca da cura, Melanie Reinhart considera que ‘a configuração de Quíron quase sempre descreve o tipo de conexão existente entre o indivíduo e seu sofrimento interno, bem como um caminho passível de levá-lo à cura… e também descreve a natureza da cura que a pessoa pode oferecer aos outros. Essa faculdade é observada quer a pessoa trabalhe ou não profissionalmente no campo da cura, porquanto se trata mais de uma qualidade natural, de uma emanação, do que de uma técnica aprendida’.

Desta forma, Quíron indica o ‘curador ferido’, a área onde sentimos medo (o que também é representado por Saturno) ou onde sofremos dor ou danos, mas, se processado e compreendido adequadamente, podemos aprender muito com ele: ou seja, para dissolver nossa dor existencial, podemos desenvolver nossa ‘metade superior’(dharma) à custa da ‘metade inferior’ (karma), o que nos remete à própria imagem de Quíron, cuja metade superior era representada pelo curador sábio, e a metade inferior, pelo animal ferido.

De acordo com Bárbara Hand Clow (ver adiante), o glifo de Quíron parece uma ‘chave’, que pode ser interpretada como a chave para a busca da transmutação / transformação pessoal; e ela expressa que ele é estreitamente ligado com seu meio-irmão Júpiter, o tradicional regente de Sagitário e da Casa Nove – áreas do mapa astral ligadas com buscas de todos os tipos. Por essas razões é que se considera que em sua interpretação básica Quíron pode ser considerado como conferindo significados mais concernidos (e vinculados com o nível espiritual) para o indivíduo, de acordo com sua colocação no mapa natal, em virtude do que este autor defende seu uso nos estudos de orientação vocacional (para jovens, sobretudo em torno de seus 17-18 anos) e redirecionamento de carreiras profissionais.

Por outro lado, é evidente que Quíron, como qualquer corpo ou ponto no mapa natal, percorre por trânsito toda a circunferência, portanto fazendo aspectos diversos com todos os outros corpos e pontos. Assim sendo, ele pode ser levado em conta em qualquer estudo astrológico que analise de forma mais aprofundada os concernimentos do indivíduo com os significados mais profundos da vida, razão pela qual também deve ser levado em conta nos estudos de saúde, aqui considerada como o equilíbrio dinâmico resultante da sintonia básica do mesmo com o Divino (sua origem e destino como Ser).

De outro ponto de vista, em se levando em conta a dinâmica representada na Astrologia pelas progressões e trânsitos, conforme expressa Bárbara Hand Clow [Bárbara Hand Clow, Quíron, Pensamento, São Paulo], ‘os trânsitos planetários são uma oportunidade de acelerar as vibrações com o crescimento. É nossa resposta celular à própria vida e, se conseguimos evitar o trabalho de um dos trânsitos, começamos a morrer naquele ponto.’ Segundo ela, o primeiro retorno de Saturno dinamiza uma ‘crise física’; a oposição de Urano em trânsito com Urano natal, uma ‘crise emocional’. E o retorno de Quíron, a ‘crise da consciência’, o que confere um significado especial para esse retorno e a época correspondente, na vida das pessoas.

É importante destacar ainda que, sendo o tempo orbital de Quíron nos signos bastante variável, e estando ele atualmente no signo de Aquário, começou recentemente a percorrer a parte mais longa daquele tempo orbital (que é completado por Peixes, Áries e Touro: ele entrará em Gêmeos somente em maio/2034, o que significa que estará ocupando de Aquário a Touro durante 29 anos, ou seja, nos quatro signos em questão ele estará demorando cerca de 56% do total de seu tempo orbital ). Além disso, é mais importante ainda ressaltar que, estando o Ascendente do mapa da descoberta de Quíron a 26°04’ de Sagitário, está ele em conjunção com o centro de nossa galáxia (atualmente a 26°56’), e que Plutão atingiu esse grau (26° de Sagitário) em fevereiro deste ano (2006), o que nos permite interpretar que o poder transformativo representado por Plutão atualmente está transmitindo um influxo especial para Quíron, conferindo a este um maior poder de transformação (vale lembrar que Plutão entrará em Capricórnio somente em janeiro/08). Para enriquecer ainda mais esses significados, destaca-se que o símbolo sabiano para a posição de Quíron no mapa de sua descoberta (a 03°09’ de Touro) menciona ‘o pote de ouro no fim do arco-íris’; Dane Rudhyar [Dane Rudhyar, Uma Mandala Astrológica, Pensamento, São Paulo] dá a chave para esse significado, como a plenitude que flui da conexão com a natureza celestial (ou divina), e sugere que aponta para algum tipo de transubstanciação da matéria.

Assim sendo, é fácil perceber que Quíron está atualmente contribuindo sobremaneira para que as pessoas imprimam um redirecionamento a suas vidas, voltando-se mais para os focos relacionados com o mundo interior, do amadurecimento como indivíduos e seres humanos – e portanto do desenvolvimento (e evolução) de suas consciências. Conforme apontado anteriormente, é natural que se espere mais o que acaba de ser apontado, de pessoas que já tenham passado pelo retorno de Quíron. Em qualquer caso, entretanto, o potencial do indivíduo deve ser examinado no seu mapa natal e nos trânsitos mencionados, com destaque para a colocação de Quíron (por signo e Casa) e os aspectos que ele tenha com os demais pontos do mapa; e também a progressão por arco solar e o trânsito atualizado (incluindo signo, Casa e aspectos, conforme citado anteriormente): tal estudo, completo, poderá fornecer as diretrizes para a dinâmica do processo supracitado, o qual, em última análise, deve conduzir para a realização do indivíduo como Ser Humano.
[Marco Aurélio T. Fernandes]

Trânsitos de Quíron


Dale O'Brien diz que trânsitos críticos de Quíron indicam quando e como um indivíduo é desafiado a crescer sobre a adversidade ou mediocridade que cercam a sua vida e a perceber um destino maior envolvendo-o. Cita que o Dalai Lama foi premiado com o Prêmio Nobel da Paz com Quíron em trânsito em conjunção com o Sol em Câncer, o que era um desafio à humildade do seu ego e à sua existência não-mundana; mas que aquele desafio era excedido em valor pela oportunidade que veio com a aceitação do prêmio: “Se eu gosto disto ou não, eu estou neste planeta, e é bem melhor fazer algo para a humanidade” disse então o 14º Dalai Lama, que não só aceitou o prêmio, mas tornou-se uma presença importante como líder espiritual e político, trazendo visibilidade mundial à questão do Tibete ocupado pela China.

Retorno de Quíron


O retorno de Quíron à sua posição original acontece em algum momento entre 49-51 anos. A volta de Quíron representa um ponto de escolha: nós estamos nos movendo para a morte ou nos movendo mais profundamente para dentro da nossa espiritualidade e essência? Para aqueles que têm trabalhado na cura de suas feridas e estão abertos para sua espiritualidade pode ser um período verdadeiramente notável em suas vidas. Pode ser um tempo de grande criatividade e que nos permite encontrar nosso próprio lugar no mundo. Por outro lado, se as lições de Quíron não tiverem sido integradas e a pessoa não tiver se aberto para o reino espiritual isto pode ser um teste se não uma mortal experiência.(James Jarvis)

Quíron se relaciona aos temas de dor e de cura. Ele representa nossas feridas psicológicas mais profundas, muitas tendo origem na infância ou são inconscientes, e bloqueiam nossa trajetória de vida. Indica as áreas físicas em que somos mais vulneráveis, a nossa tendência para atrair situações que nos trazem mais sofrimento, reativando assim emoções dolorosas do passado. Ao mesmo tempo, ele revela que a cura só pode ser encontrada quando aceitamos e damos a ela um significado real.

Quíron simboliza o guia interno que nos ajuda a obter a cura para os males da alma. Tem extrema relação com as rejeições, onde quer que esteja colocado no mapa.

Temas psicológicos importantes e pertinentes ao significado do planeta: Quíron foi rejeitado pela mãe e presumivelmente nunca chegou a conhecer Crono, seu pai. Foi concebido quando ambos os pais encontravam-se numa forma animal, isto é, a partir de uma união instintual.

TERAPIA: DESPERTAR O CURADOR INTERNO

Terapeutas tocam também suas dores no sacerdócio do cuidar do outro.

Grande parte de vosso sofrimento é por vós próprios escolhido. É a amarga poção com a qual o médico que vive dentro de vós cura o vosso Eu doente. Confiai, portanto, no médico e bebei seu remédio em silêncio e tranqüilidade: pois sua mão, embora pesada e dura, é guiada pela suave mão do Invisível.
As palavras do ilustre pensador KAHLIL GIBRAN serviram como referência para a estudiosa de mitologia e astrologia MELANIE REINHART escrever sobre um assunto contundente. Em QUÍRON E A JORNADA EM BUSCA DA CURA (Coleção Arco do Tempo da Editora Rocco), Reinhart registra com profundidade os perigos do lado fugitivo do ser humano, quando luta por abstrair-se de suas próprias dores, fazendo um movimento ilusório e irreal que não o leva a lugar algum. Ao contrário, ao negar a dor do fundo de sua alma, o homem cria em sua vida muita confusão, a partir dessa recusa em acolher a chamada FERIDA SAGRADA.

Muitas vezes, é essa dor que o leva a enveredar pela área da saúde, tornando-se médico ou psicoterapeuta, pois ao entrar permanentemente em contato com a dor do outro e tentar aplacá-la, terá automaticamente alívio em sua própria dor, mesmo sem ter consciência clara disso.

RESGATE - Sacerdote, poeta, músico, curador, contador de histórias. Na Antigüidade (distinta do presente, em que predominam os especialistas, com razão e visão científica de análise e exclusão) a saúde era concebida e tratada de forma integrada e não desvinculada de outros conhecimentos e saberes.

A própria palavra terapia, explica a psicóloga Jane Eyre Melo, em sua etimologia, se originou do grego thaerapia, que significa SERVIR A DEUS. Desta forma, a prática terapêutica, bastante antiga, já evidenciava a tentativa de conciliação entre o homem e a Natureza. Apesar disso, passou a ser entendida e utilizada pela medicina como forma ou tipo de tratamento e acompanhamento médico.

A especificidade e super especialização promovida na esfera da saúde, levou a se perder a riqueza de um instrumental valioso para a promoção do bem-estar humano. Conforme Jane Melo, ao deixarmos de lado o universo simbólico, ficamos desprovidos da compreensão que os antigos possuíam, que era o entendimento desse “curador interno” e seu processo de despertar, quando surgiam problemas aparentemente insolúveis.

AUXÍLIO - Para a psicóloga, a mitologia traz um grande auxílio no trabalho terapêutico, pois recupera informações que não deveriam ter sido esquecidas, sob pena de promover desconexão e desesperança no humano. “A verdadeira psicologia torna-se uma práxis arquetípica ao penetrar nas profundezas que subjazem a consciência”, pontua.

Ela revela uma questão provocativa, levantada pelo mestre de psicologia alemão, Thorwald Dethlefsen: “Por que, cada vez mais pessoas no nosso meio cultural precisam urgentemente de uma terapia e como as pessoas que viveram nos últimos milênios conseguiam sobreviver sem sua ajuda?”

O professor da Universidade de Munique explica que os homens de CULTURAS ANTIGAS NÃO PRECISAVAM DE TERAPIA porque TINHAM OUTROS MÉTODOS que satisfaziam de modo muito mais adequado às necessidades da alma humana. Jane confirma ter havido um retrocesso no desenvolvimento humano, uma piora na própria essência. “É por isso que o homem moderno é psiquicamente mais doentio do que os homens de épocas anteriores. A psicoterapia transformou-se na resposta para uma perda sofrida por nossa cultura.”

Dethlefsen acentua que hoje temos orgulho dessas “perdas”, as quais fundamentam nossa sensação de “superioridade”. Os mitos e seu culto, com os grandes e significativos potenciais energéticos trazidos por eles desde a Antigüidade, foram jogados fora muito apressadamente, na opinião do psicólogo. “É por isso que o mito e o culto estão tão distanciados da compreensão de nossa época, a tal ponto que esses conceitos despertam falsas associações.” Tudo hoje é “desmitificado” e “desmistificado”, inclusive as religiões.

Só que o mito, originariamente, não traz uma história fantástica, mas uma narrativa que contém a revelação de um princípio divino, transcedental e numinoso, capaz de acordar os processos internos e naturais de cura da psique.

MITO - Quíron, o centauro mitológico, filho de Saturno, o senhor do tempo e da ninfa Filira, foi rejeitado pela própria mãe ao nascer, quando esta se deparou com seu hibridismo (metade cavalo, metade humano). Quíron, o centauro mitológico, traz consigo o arquétipo do curador, sábio e artista. Conduz o humano ao universo dos símbolos, que resignificam crenças, conceitos e valores arraigados da cultura contemporânea, tecnicista e robótica.

De acordo com Jane, era Quíron quem instruía os heróis em suas jornadas, como o fez com Hércules, em seus doze trabalhos. Na astrologia, o planeta Quíron, descoberto em 1977, reaproximou os humanos do arquétipo do “curador ferido”, já que traz sua ferida interna original (rejeição materna) e também outra incurável, por ter sido acidentalmente ferido por uma flecha envenenada. Ao buscar a cura para seu ferimento, passou a ajudar muitas pessoas a se curarem.

Cristina Soares lembra que Quíron aparece na mandala astrológica de todas as pessoas. O que muda é apenas a esfera em que apresenta a dor que o moverá na vida, no sentido de buscar sua cura e compartilhar suas descobertas com as demais pessoas.

Jane Melo confirma que todas as pessoas possuem um lado Quíron, seja representando pelo movimento de despertar de seu terapeuta interno, seja no aspecto híbrido do mito. E finaliza lembrando que o despertar do terapeuta interno pode ser estimulado no contato com o médico, o psicólogo, o artista e até mesmo, um mestre, um professor, um filme, uma música.

Cristina Soares finaliza afirmando que a tendência humana de esconder sua ferida para tentar não acessar a dor nos leva a repetir indefinidamente padrões até surgir o grito de “basta, quero mudar”. É neste ponto então em que ocorre a entrega e cada um pode abraçar sua dor.

(Jane Eyre Melo)

Seguidores