QUÍRON NO ELEMENTO ÁGUA

Cova do Urso - António Rosa

A ferida produziu-se no lar - [Quíron em Cancer ou na casa 4]
Na mitologia, a figura de Quíron é apresentada como sendo filho de Cronos [Saturno] e da ninfa Filira, neto de Úrano [o céu] e de Gaia [a Terra] e meio irmão de Zeus [Júpiter]. A ninfa Filira refugiou-se no monte para dar à luz o filho. Foi um parto lento, difícil e doloroso. Quando Filira percebeu que tinha gerado um ser que era meio homem, meio cavalo, abandonou-o à sorte do destino, que esteve a favor do centauro recém-nascido, pois Apolo passeava por aquele monte quando encontrou o centauro Quíron, decidindo ali mesmo que o criaria como pai adoptivo, ensinando-lhe todos os seus conhecimentos: artes, poesia, ética, filosofia, artes divinatórias, ciência, terapias e profecias.
As pessoas com Quíron em Caranguejo pertencem a dois grupos etários bem distintos: O primeiro grupo anda agora (2010) entre os 69 e os 72 anos, nascidos entre 28 Maio 1938 e 16 Junho 1941; o segundo grupo etário é bem jovem, pois nasceu entre 21 Junho 1988 e 21 Julho 1991, portanto, andam agora entre os 19 e os 22 anos. O primeiro grupo, maioritariamente, estará aposentado e o grupo dos jovens, estará nas universidades ou no primeiro emprego. Estas informações são dadas para orientar o leitor que não tenha um conhecimento aprofundado de astrologia.
Enquanto preparava a aula de Quíron [ver aqui] demorei-me neste posicionamento de Quíron, pois é uma das situações mais delicadas de todo o zodíaco. Por isso, não me surpreendi que na aula, na Ericeira, não estivesse ninguém com este posicionamento no mapa natal.
A delicadeza desta situação é mais que óbvia. São poucas as pessoas capazes de reconhecer [excepto em consulta privada] que a sua principal ferida emocional ocorreu quando era criança e dentro do seu próprio lar.
O que quer que tenha acontecido a estas pessoas, foi em casa e ocasionada por um dos pais ou os dois, de preferência o pai. Pode ter sido a mãe, se ela revelava ser uma pessoa bastante fria e egocêntrica, ou se dominava o pai.
Estas pessoas escondem uma mágoa profunda de terem crescido sem sentirem a manifestação do amor de um dos pais ou dos dois. Aquilo que a maioria das pessoas reconhece como sendo o amor incondicional, simplesmente, é de difícil manifestação nestes casos. Amor incondicional dos pais para os filhos. Esta ferida é profunda e pode assumir, mais tarde, a forma de uma frustração profunda.
Tanto mais que eram crianças entre os 6 e os 9 anos quando passaram pela primeira quadratura de Quíron e a consequente descida da kundalini e abertura de chakras, o que terá provocado uma imensa e intensa agitação, levando-as, eventualmente a terem sido consideradas hiperactivas. Como terão reagido os pais a esta situação? Por total desconhecimento da situação energética que os seus filhos estavam a viver, certamente terão reagido de forma inapropriada.
Podem ter usado de violência desnecessária, acentuando na criança a sensação de injustiça, de falta de amor, de uma sensação de inevitabilidade, de humilhação, com um desgosto que dói a sério, sentindo-se traída no seu universo infantil. Mais tarde, Quíron promoverá que a pessoa retorne ao seu caminho, ou seja, funcionará como uma espécie de guia espiritual.
São insondáveis os Mistérios Divinos, pois este posicionamento fala-nos de uma alma que escolheu esta reencarnação (a dos dois grupos etários acima mencionado), para limpar, juntamente com os seus pais biológicos, energias cármicas muito tensas, de vidas passadas. Essa alma, naquele corpo, vem aprender a libertar-se da sua frustração antiga, de eras. A frustração de não podermos resolver na matéria a nossa tarefa espiritual, de não estarmos a fazer o que a essência da nossa alma pede.
No entanto, ao longo da vida das pessoas com este posicionamento surge uma orientação mágica que a ajudará a mover-se em direcção ao seu próprio caminho. Quíron é um guia espiritual humilde e benevolente, e durante os seus próprios trânsitos surge com frequência uma dádiva “mágica” da vida. Surgirá um processo especial, talvez na época em que Quíron em trânsito fizer oposição ao seu próprio posicionamento natal. Ou seja, quando Quíron passar por Capricórnio, o signo oposto a Câncer, aquela criança terá entre 13 e 16 anos, dando-se a possibilidade de iniciar o seu próprio processo de afirmação pessoal. Apropriado àquelas idades.
Resta fazer a pergunta que o leitor deve estar a pensar: como reagirão os pais a este processo? Nunca se sabe. A maior parte de nós age pela razão errada, e as escolhas que fazemos não costumam ser as melhores.
Se o processo de afirmação pessoal destes jovens não se realizar de forma natural, há o potencial das suas estruturas externas serem contaminadas e poder haver um acentuar da frustração, da incapacidade, conduzindo a pessoa a uma perplexidade perante a vida, perguntando-se a si própria: «Que devo fazer?». Oxalá encontrem psicólogos, terapeutas ou astrólogos capazes de saberem analisar e ajudar da forma mais conveniente.
Outras ocorrências frequentes para quem tem Quíron em Câncer: relacionamento difícil com o pai ou mãe; pai ausente; pai falecido (órfão de pai); sentir-se abandonado à sorte; sentir que foi rejeitado em criança (como Quíron, que não conheceu o pai, Cronos), preso ao passado; muito assustado com as situações difíceis à sua volta; em adulto, afastar-se dos pais; temor a desobedecer ao pai, para não sofrer (novamente) a sua desaprovação. Isto soa-vos a familiar?
A humanidade está mais apta a avançar do que Quíron em Câncer imagina. Como são extremamente sensíveis ao sofrimento alheio, possuem grande capacidade para proteger ou ajudar.
Termino esta análise recomendando fortemente a quem tenha Quíron em Câncer: tentem fazer terapias associadas a estas expressões - libertação do passado; cuidar da criança interior; regressão a esta vida e a vidas passadas.
Uma boa parte do que escrevi mais acima, aplica-se, também às pessoas que tenham Quíron na casa 4, mesmo estando em outros signos, que não Câncer.

Até parece que só falamos da morte - [Quíron em Escorpião ou na casa 8]
Dou por mim a perceber que ando a reflectir e escrever sobre Quíron no elemento Água, constatando que na aula da Ericeira (ver aqui) não esteve ninguém com este posicionamento. Curiosamente, tenho na minha base de dados alguns nomes muito conhecidos, que nasceram com Quíron em Escorpião. Pois vejam estes nomes: a minha amiga Astrid Annabelle, terapeuta e autora dos blogues «Navegante do Infinito», «A Dinâmica do Invisível» e «Ma Jivan Prahbuta»; Hillary Clinton, Secretária de Estado norte-americana; Luís Filipe Scolari, treinador de futebol; Robert Zoller, astrólogo e autor especializado em Quíron; Steven Spielberg, o cineasta bem conhecido por muitos filmes, especialmente, pelo «ET». São todos curadores naturais e com grande potencial mediúnico.
As pessoas com Quíron em Scorpio pertencem a dois grupos etários bem distintos: O primeiro grupo anda agora (2010) entre os 61 e os 64 anos, nascidos entre 10 Novembro 1946 e 29 Novembro 1948; o segundo grupo etário é muito jovem, pois nasceu entre 29 Dezembro 1996 e 4 Abril 1997 - entre 3 Setembro 1997 e 6 Janeiro 1999 - entre 2 Junho 1999 e 21 Setembro 1999, portanto, andam agora entre os 11 e os 14 anos. Estas informações são dadas para orientar o leitor que não tenha um conhecimento aprofundado de astrologia.
Com Quíron neste signo e casa estamos perante estes temas genéricos onde poderá residir a ferida e frustração profunda: a sexualidade, o nascimento e a morte, o poder, a regeneração e transformação pessoal, as emoções e os desejos profundos, o abandono, a separação, a união e a solidão.
No entanto, o grande tema deste posicionamento é a morte, ou de uma forma mais suave, a vida depois da morte, a capacidade de comunicar com o Além. Muita mediunidade. Se não, vejamos situações frequentes de Quíron em Escorpião ou na oitava casa: acontece haver sério perigo de vida no exacto momento do nascimento; por vezes, é a mãe quem corre perigo de vida no momento do parto; é frequente a pessoa enfrentar situações associadas à morte, quer por alguma doença grave, ou pelo falecimento muito cedo de um dos pais; ao longo da vida, estas associações ligadas à morte são igualmente frequentes, quer seja a morte física, quer a morte de algo velho, que deixamos para trás, mas a pessoa sente como havendo uma interrupção de algo.
Também pode acontecer que pessoas com este posicionamento pensem bastante em suicídio, apesar de habitualmente não praticarem. Não pensam em suicídio de forma gratuita, pois apenas desejam libertar-se do corpo biológico. É um posicionamento muito intenso, podendo ser agreste, em alguns casos. Há sempre uma experiência profundamente sentida sobre a morte e sobre a realidade para além da vida terrena.
Quando encarada de forma positiva Quíron em Escorpião ou na casa Oito pode permitir uma grande compreensão sobre os mistérios da vida e da morte, o mundo da psicologia e da mente, bem como sobre o mundo relacional e as suas interacções profundas, que poderá ser bem aproveitado na área do aconselhamento e da ajuda. Pode ser sinal duma grande sensibilidade ao Além e às suas manifestações. A mediunidade é um caminho terapêutico.
Outra característica a realçar deste posicionamento, podemos defini-lo como «dificuldade com a intimidade». A identidade e a vida sexual podem ser um ponto susceptível, assim como a rejeição, um sentimento de insuficiência ou de inadequação ou uma marca crónica psicológica ou física, por exemplo, podem determinar uma grande dificuldade em se relacionar sexual e afectivamente. Por vezes, podem verificar-se conflitos, que parecem intransponíveis, entre os impulsos espirituais e a vivência mais desinibida da sexualidade. Outras vezes parece haver uma incompatibilidade entre os desejos da pessoa e os desejos do cônjuge, gerando uma sensação de infelicidade (conjugal) que corrói todas as boas intenções.
O mundo dos recursos materiais, emocionais, sexuais e afectivos envolvidos nos relacionamentos conjugais ou os recursos financeiros e materiais desenvolvidos e afectados na actividade profissional e nas parcerias de negócios assumem uma grande importância com esta posição de Quíron. A pessoa poderá sentir uma grande dificuldade em conseguir obter ou partilhar bens, valores e apoios materiais ou não com os parceiros. Não raras vezes, pode sentir-se muito pouco realizado nas associações e nos relacionamentos que forma, desenvolvendo-se um sentimento de insatisfação profundo.
Quando conheço alguém com este posicionamento, inevitavelmente, olho para a minha Lua na oitava casa e não deixo de pensar cá para comigo mesmo: «Isto sim, é mediunidade a sério. Não passo de um aprendiz.» Não é inveja. É reconhecimento da evidência.
Está ao seu alcance uma noção mais profunda do sofrimento que a humanidade carrega ao longo dos tempos nestas áreas bem como das possibilidades do mesmo ser atenuado e revertido em sabedoria e crescimento.
Se acima afirmei que o grande tema deste posicionamento é a morte, não posso deixar de dizer que o outro grande tema de Quíron em Escorpião ou na oitava casa é, sem dúvida, a mediunidade. A questão aqui é se as pessoas aceitam bem, para com elas próprias, esta característica tão marcada. Será que sentir a mediunidade as faz viver cómodas com elas mesmas? Não é fácil e pode ser confundido com intuição, sendo este 6º sentido parte integrante da mediunidade.
Dos nomes de pessoas acima referidos, posso garantir que 3 delas são altamente mediúnicas: Astrid Annabelle, Luís Filipe Scolari e Steven Spielberg. Não quer dizer que os outros não o sejam. Da Astrid, temos a prova através do seu maravilhoso blogue «A Dinâmica do Invisível» e o quão curador é para nós, seus leitores. De Luís Filipe Scolari, podemos afirmar que conseguiu levantar o estado anímico do povo português, no Euro 2004 (futebol), quando sugeriu que puséssemos bandeiras de Portugal nas nossas casas viradas para a rua. Foi um fenómeno nunca visto e que resultou muito bem. De Steven Spielberg, os exemplos através dos seus filmes são mais que muitos e não se circunscreve apenas ao famoso «ET». São todos curadores de nível energético muito alto. Todos procuram encontrar uma solução existencial para o sofrimento, mantendo-o presente e procurando uma saída transcendente. Simplesmente fantástico.
Terapia recomendada para este posicionamento astrológico: regressão a vidas passadas; terapias multidimensionais de cura quântica; terapias com cristais adequados aos signos onde se encontre a Lua no mapa natal; recolocação da criança interior em modo conforto.
Quíron na casa VIII
O mundo dos recursos materiais, emocionais, sexuais e afectivos envolvidos nos relacionamentos afectivos ou os recursos financeiros e materiais desenvolvidos e afectados na actividade profissional e nas parcerias de negócios assumem uma grande importância com esta posição de Quíron.
A pessoa poderá sentir uma grande dificuldade em conseguir obter ou partilhar bens, valores e apoios materiais ou não com os parceiros. Não raras vezes, pode sentir-se muito pouco realizada nas associações e nos relacionamentos que forma, desenvolvendo-se um sentimento de insatisfação profundo. Outras vezes, a dificuldade surge na incapacidade de conseguir estabelecer relacionamentos ou parcerias que sejam concretizadoras e cooperativas ou onde exista um grande envolvimento e intimidade.
A identidade e a vida sexual podem ser um ponto susceptível com Quíron na Casa VIII. A rejeição, um sentimento de insuficiência ou de inadequação ou uma marca crónica psicológica ou física, por exemplo, podem determinar uma grande dificuldade em se relacionar sexual e afectivamente. Por vezes podem verificar-se conflitos, que parecem intransponíveis, entre os impulsos espirituais e a vivência mais desinibida da sexualidade. Muitas vezes parece haver uma incompatibilidade entre os desejos da pessoa e os desejos do cônjuge, gerando uma sensação de infelicidade conjugal que corrói todas as boas intenções.
Por vezes, esta posição pode levar a que se encare o suicídio como uma forma alternativa para acabar a vida de forma pacífica ou planeada. Outras vezes, procura-se encontrar uma solução existencial para o sofrimento, mantendo-o presente e procurando uma saída transcendente. No entanto, qualquer que seja a solução dada, há sempre uma experiência profundamente sentida sobre a morte e sobre a realidade para além da vida terrena. Pode ser sinal duma grande sensibilidade ao Além e às suas manifestações.
Quando encarado de forma positiva, Quíron na casa oito pode permitir uma grande compreensão sobre os mistérios da vida e da morte, o mundo da psicologia e da mente bem como sobre o mundo relacional e as suas interacções profundas, que poderá ser bem aproveitado na área do aconselhamento e da ajuda. Está ao seu alcance uma noção mais profunda do sofrimento que a humanidade carrega ao longo dos tempos nestas áreas bem como das possibilidades do mesmo ser atenuado e revertido em sabedoria e crescimento.

Tenta não ser, nem a vítima, nem o salvador do mundo - [Quíron em Peixes e na 12ª Casa]
Tenho consciência que o último texto que escrevi sobre Quíron foi publicado neste blogue em Fevereiro último. Escrever sobre este objecto celeste não é fácil. Veja-se este exemplo, bem recente: Quíron fez o seu ingresso no signo Peixes no passado dia 20 Abril 2010 e não me recordo de ter lido nenhum texto escrito em Portugal, incluindo eu próprio, sobre este evento, que ocorre a cada 50 anos, e que, nos próximos 8 anos, mudará profundamente as nossas vidas pessoais. No entanto, a nível mundano, houve 4 acontecimentos significativos em Portugal: a vitória do Benfica, a vinda de Bento XVI o Congresso de Astrologia e as grandes baralhadas do governo.
Vejamos o posicionamento de Quíron para os próximos tempos: ingressou em Peixes no dia 20 Abril 2010 e prosseguirá sempre no grau zero, até ao dia 4 de Junho em que iniciará o seu movimento retrógrado. Nestas últimas semanas, tem estado estacionário, apesar deste local do zodíaco (Peixes e Carneiro/Áries) ser a zona onde ele permanece mais tempo a percorrer a sua órbita. São cerca de 8 anos em cada signo. Nos signos opostos, Virgem e Balança/Libra, percorre-os em velocidade recorde, permanecendo apenas 1 ano e meio em cada signo.
No seu movimento retrógrado, com início a 4 Junho, voltará a ingressar em Aquário no dia 21 Julho 2010, continuando a sua marcha atrás até 6 de Novembro, onde ficará directo no grau 26. A 9 Fevereiro 2011, entrará definitivamente em Peixes. Quer dizer, que em 2010 tivemos um 'saborzinho' de Quíron em Peixes.
No recente Congresso de Astrologia (Estoril, Portugal) houve uma ocorrência que me chamou muito a atenção. Na intervenção de Magda Moita - minha companheira de trabalhos na 'Escola de Astrologia Nova-Lis' -, no final da sua excelente palestra sobre Quíron, houve um período de perguntas e respostas por parte do numeroso público presente (astrólogos e estudantes de astrologia) e, excepto uma única pergunta, todas as restantes foram sobre Quíron em Peixes ou na 12ª casa. Fiquei espantado, pois esperava, no mínimo, que houvesse maior conhecimento do signo e da casa, por parte dos presentes, o que me levou a confirmar que nenhum de nós consegue descortinar, com profundidade, o nosso próprio mapa e que vamos avançando, sempre avançado, no nosso próprio auto-conhecimento. É a evolução, natural.
A última vez que Quíron esteve em Peixes, foi nestes períodos: de 26 Março 1960 a 18 Agosto 1960 e de 21 Janeiro 1961 a 31 Março 1968. Obviamente, estamos a falar de uma grande parte dos quarentões de hoje, em alguns casos a roçarem os 50, no óbvio retorno de Quíron.
Personalidades com Quíron em Peixes: Jesus da Nazaré, Barack Obama, Brad Pitt, Calista Flochart, Cândida Loureiro (terapeuta portuguesa), Cristina Candeias (astróloga portuguesa), Daniel Craig, Felipe de Espanha, Marcelo Dalla (astrólogo brasileiro), Michelle Obama, Nicole Kidman, Sarah Palin, Whitney Houston, Yva Toguri (Tokio Rose). Com Quíron na 12ª casa: Condoleezza Rice (política e pianista), Florbela Espanca (poetisa portuguesa), Nathaniel Horne, Shakira.
Quíron em Peixes ou na casa 12 tem vários vínculos bem vincados: em primeiro lugar, um forte sentido do transpessoal e do colectivo, uma forte identificação com o caos, com aquilo que se dissolve e existe sempre um desejo muito secreto - o regressar à unidade, ao uno, ao indivisível. Como manifestam na matéria estas questões, isso é outra história. Se derem alguma atenção às personalidades que indico acima, perceberão, ou intuirão essa profunda 'necessidade'.
Outro vínculo a este signo e casa é a possibilidade da pessoa sentir o isolamento, as tribulações e as incapacidades que a deixam bastante impotente perante a vida e o mundo, que se tornam a fonte dos problemas e que determinam uma dificuldade em se encontrar e definir uma individualidade e uma direcção pessoal para a vida. É neste condicionamento que podem surgir os inimigos ocultos, serem objecto de enganos, desilusões, sacrifícios e, eventualmente, tentarem escapar destas situações através do uso de drogas ou, bem encaminhados sentem um forte apelo a dedicarem-se à meditação e a processos de relaxamento, onde, com relativa facilidade atingem o êxtase. Em alguns casos extremos, e dependendo do resto do mapa natal, pode haver uma dificuldade em a pessoa se encontrar e definir uma individualidade e uma direcção pessoal para a vida.
Tenho encontrado várias pessoas com este posicionamento que indicam serem transportadores de um estranho sentimento de culpa, como se fossem os responsáveis por tudo o que de menos bom acontece. Raramente sabem a causa desta sensação que os acompanha pela vida. Isto é muito acentuado se Quíron, no mapa natal, faz severas quadraturas aos planetas pessoais. Algumas vezes são circunstâncias ou defeitos pessoais, profundamente instalados e inviabilizadores do crescimento anímico, os verdadeiros inimigos ocultos e as grandes prisões em que a pessoa se auto-limita e invalida.
Por aquilo que disse mais atrás, remeto o leitor para o título deste artigo: a enorme capacidade que as pessoas com este posicionamento podem encarnar o arquétipo da «vítima». É um passinho! Obviamente, é necessário um grande trabalho terapêutico para retirar estas pessoas deste sentimento de vitimização. A 'culpa' é sempre do outro. É muito complicado explicar a estas pessoas isso da 'culpa', que não existe. Estas pessoas - mais uma vez, dependendo dos aspectos pessoais que Quíron faça aos planetas natais -, têm imensa dificuldade em substituir o conceito de 'culpa' por 'responsabilidade'. Se tiverem a sorte de encontrarem um bom terapeuta com Quíron em Virgem, podem ser bastante ajudados a seguirem em frente com as suas vidas. Por muito normais que estas vidas pareçam ser.
Encontramos muitas pessoas que, devido à sensação de serem vítimas permanentes, somatizam essas questões, atraindo para si doenças sérias. Evite isso.
Tenho encontrado situações muito acentuadas onde, por vezes, parece que tudo conspira para a desgraça pessoal, a começar pelo seu próprio inconsciente. Habitualmente, quando encontro estes casos, procuro incutir o sentido do 'ideal', outro dos vínculos muito fortes de Quíron em Peixes ou na 12ª casa.
Este 'ideal' é muito difícil de definir e varia de pessoa para pessoa. Depende muito das suas prisões emocionais. Pode ser o ideal amoroso, se Vénus estiver proeminente no mapa natal. Pode ser o ideal da carreira, com Saturno destacado. Pode ser o ideal espiritual, se Neptuno tiver muita força no mapa. Por aí fora... Não existe um ideal, mas sim vários.
Por vezes, Quíron na casa doze indica uma escolha errada no caminho espiritual feita anteriormente e que agora precisa ser corrigida! Tenho encontrado muitas situações destas, assim como muitas pessoas que acham que podem ser terapeutas, mas não sentem nenhum apelo em concreto por alguma terapia específica.
Em consulta astrológica recomendo que o astrólogo [Quíron é o regente dos astrólogos, enquanto Úrano rege a astrologia] analise bem o posicionamento de Quíron no mapa natal. Comecem por verificar o 'ponto médio entre Saturno e Úrano', pois é muito sensível às questões quiróticas. Não esqueçamos que quando Quíron está em Peixes o seu dispositor é duplo: Júpiter e Neptuno. É preciso analisar as relações entre eles. Se Quíron estiver na 12ª casa, mas em outro signo, é importante verificar qual é o seu dispositor, para identificar as energias do 'ideal' envolvido na vida dessa pessoa.
Recomendo sempre que se veja este pequeno pormenor muito descurado por todos nós: analisar com muita atenção as relações astrológicas entre Quíron, o seu dispositor e o regente do Ascendente. A título de exemplo: Quíron em Capricórnio, na 12ª casa, com Ascendente em Sagitário. Aqui teríamos, envolvidos numa análise cuidadosa, os seguintes planetas: Quíron, Saturno, Júpiter e, eventualmente, também Neptuno, como co-regente natural da 12ª casa. Como podem imaginar, haveria aqui muito trabalhinho a desenvolver.
Ao reler o texto, percebi que os dois parágrafos anteriores a este, estão metidos um pouco a martelo, pois afastei-me do tema do artigo e entrei directamente a dar conselhos práticos aos leitores, o que é uma certa falta de respeito da minha parte, pois cada astrólogo ou estudante de astrologia sabe de si mesmo e como se organizar nestas leituras quiróticas. Peço desculpa de o ter feito.
Voltemos à análise geral de Quíron em Peixes ou na 12ª casa. É comum detectarmos situações destas: Quantas vezes não se encontra no mártir uma pseudo-grandeza espiritual? Quantas vezes o orgulho e o complexo de superioridade não se ocultam por detrás de grandes altruísmos e sacrifícios espirituais? O orgulho de se ser humilde é a forma mais subtil de degeneração de quem já não cai em armadilhas materiais e primariamente egoístas. Este é o tapete resvaladiço de um Quíron iludido, por estar banhado por Peixes.
Há outra questão que está indicada no título do artigo, que é a sensação da pessoa ser a 'salvadora'. Parece existir a tentação de se sacrificar para salvar alguém em particular, ou salvar um grupo, ou mesmo o mundo. Associado a este sintoma, podemos encontrar pessoas que abandonam (ou pretendem abandonar) voluntariamente o mundo e as suas actividades para cuidar da sua salvação espiritual, esquecendo a importância do contacto e da actividade altruísta para a verdadeira espiritualidade.
Tudo isto porque, num sentido positivo, Quíron em Peixes ou casa doze reflecte uma grande sensibilidade para com o sofrimento e uma grande atenção para com os problemas colectivos pouco noticiados, senão mesmo ocultos. Esta posição pode gerar terapeutas, curadores e reformadores que procuram no inconsciente colectivo as forças e as soluções para se ultrapassarem os problemas crónicos da humanidade. Muitos deles trabalham longe das atenções do público.
Com esta posição de Quíron, a pessoa pode assumir uma posição desapegada e totalmente despojada perante a vida e os seus mistérios, mas duma forma consciente e criativa, procurando ultrapassar as limitações e queimando os seus próprios sofrimentos e complexos cristalizados na pira da auto-renúncia doadora e da actuação espiritual e regeneradora de si e dos outros.
Terapias que parecem resultar para estas pessoas: cristais, cura quântica, limpezas de aura e, de forma muito concreta, limpezas energéticas.
Sejam simpáticos comigo e, por favor, enviem-me energias muito positivas para eu poder continuar a escrever sobre Quíron.
Recomendo a leitura de Quíron em Caranguejo/Câncer ou na 4ª casa. Também, Quíron em Escorpião ou na 8ª casa. Com este artigo, termino a série de Quíron no elemento Água.

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