APONTAMENTOS SOBRE QUIRON

Astronomia, Mitologia e Astrologia de Quiron

Quiron foi descoberto em 1977. A órbita irregular de Quiron é diferente de qualquer planeta, por isso não se encaixava em nenhum grupo de corpos celestes conhecido até à data. Ao longo dos anos teve vários tipos de classificações, planetóide, asteróide, cometa. No início dos anos 90 começam a descobrir-se outros corpos que se comportam de forma semelhante a Quiron. Então este grupo de corpos com órbitas irregulares dos limites do sistema solar, passou a chamar-se Centauros.

Um dos simbolismos de Quiron que está associado à sua descoberta é o facto de ser uma criatura estranha, que não se encaixa em nenhuma categoria, até que encontra a sua tribo, com a descoberta de corpos celestes semelhantes do cinturão de Kuiper para lá da órbita de Plutão. É como se tivessem estado na sombra, e de repente caminham em direcção da luz. O cinturão de Kuiper é como se fosse o submundo celestial, que se encontra nas trevas, no limite do sistema solar.

Os centauros foram atraídos do cinturão de Kuiper para o sistema solar através da força gravitacional de Neptuno. Estes ligam as órbitas de Saturno e Plutão e têm órbitas excêntricas. No caso específico de Quiron move-se entre Saturno e Úrano, e chega a atravessar a órbita do primeiro.

A História de Quiron pode ser encontrada em livros e aqui na internet, e aconselho a sua pesquisa para complemento destes apontamentos, irei apenas referir alguns pontos chave.

A primeira grande ferida de Quiron é a ferida existencial, a rejeição da sua mãe, por ser meio homem, meio animal, que ela considerou um monstro. Ele foi abandonado para morrer, mas não era esse o seu destino.


A certa altura, já adulto, Quiron foi atingido na perna, sem intenção, com uma flecha envenenada de Hércules. Há várias versões do local da perna onde a flecha entrou, que vão desde a anca até ao tornozelo. O que reúne os simbolismos de Sagitário, Capricórnio e Aquário e os seus regentes, respectivamente, Júpiter, Saturno e Úrano. Este é o caminho de Quiron nos céus.

O arquétipo do Quiron é o oposto do Herói, aquele que revela força e coragem exterior. Foi precisamente o mais heróico que o feriu - Hércules, apesar de sem intenção. O heroísmo de Quiron é interno, é uma força e coragem internas e não externas. Ele significa alguém forte, doce, alguém que carrega o peso da alma. É com a coragem interior que conseguimos enfrentar as nossas feridas mais profundas.

Há muitas feridas que são agravadas por heroísmo exacerbado. Quando ignoramos as nossas feridas e seguimos em frente com um sorriso na cara, estamos a revelar coragem exterior. Temos que parar e escutar para que o processo de cura se desenrole.

O nosso potencial para ferir os outros, faz parte do processo de cura, tomarmos consciência disso é muito importante.

Como a seta que feriu Quiron estava envenenada, a sua ferida não curava e como era imortal não podia morrer. A sua situação era como um beco sem saída. Quando Quiron se manifesta em nós é muitas vezes este o sentimento que aflora, algo que parece não ter remédio. Por isso do ponto de vista da alma, as coisas vão repetir-se até que a aprendizagem seja feita. Até que tomemos consciência e aí podermos evoluir no processo de cura. Esta cura tem que vir de dentro para fora e de fora para dentro e não apenas de fora para dentro, pois isso não será cura mas apenas um tratamento. Há uma diferença entre curar e tratar. Curar aplica-se à alma, tratar ao corpo. A verdadeira cura está dentro da própria experiência e acontece atraindo as experiências e não afastando-as ou fugindo.

Quiron acorda-nos para o nosso destino individual, que não é separado do mundo exterior, mas faz parte dele. O caminho do Centauro é estar ao serviço dos outros.

Prometeu foi castigado por roubar o fogo aos Deuses e para ser salvo tinha que trocar com alguém que abdicasse da sua imortalidade. Quiron ao fazê-lo perdeu-a e pode finalmente morrer. Assim pode ressuscitar e o problema dos dois resolveu-se.

Muitas vezes somos impotentes para nos curarmos mas temos a capacidade de curar os outros. O exemplo mais simples é quando ouvimos alguém, a dor liberta-se e prossegue o processo de cura.

Na nossa jornada de cura estamos a tentar roubar o fogo das autoridades. A jornada do acordar é muito pessoal, leva-nos a um confronto com autoridades, com noções erradas e pré-estabelecidas, condicionamentos. Desfazer isso é muito doloroso. As estruturas internas profundas fazem-nos crer que é como somos. Com Quiron dá-se o despertar da alma e para empreender a jornada de cura, tem que acontecer a morte do ego. Estarmos ao serviço dos outros faz parte da jornada de cura.

O arquétipo de Quiron tem a ver com ser heróico e vulnerável.

Na nossa jornada de cura simbolizada por Quiron há um processo de aproximar opostos, a aceitar as contradições, levando-nos das fases em que tudo é perfeito com insights – Úrano e de volta para Saturno onde há um andar para trás, e vice-versa. Quiron é o órgão para o nosso despertar. Na nossa jornada de cura, o processo da dor é necessário, pois concentra a mente de uma forma especial, temos que dar tempo à dor, para vivenciarmos e integrar a experiência, de forma a que ela se vá desembrulhando e resolvendo. Quando se reprime de imediato a dor, acabamos por não resolver e curar a nossa ferida. O que Quiron nos pede é que trabalhemos a nossa alma de forma a aliviar, curar esse peso morto que todos carregamos dentro de nós.

O verdadeiro processo de cura começa quando as palavras falham. As experiências que trazem a falta de palavras, as experiências de grande intensidade, no meio de intenso sofrimento onde parece não termos percepção de nada, o que acontece é que depois aumentamos o nosso nível de consciência.

Um dos significados de Quiron é aquele que anda para trás e para a frente num processo entre a busca da luz e o regresso à escuridão.

Onde Quiron está no mapa a energia está invertida. É onde a energia empurra a pessoa para dentro. É onde está o despertar da nossa alma e a integração desse despertar.
Quiron não é um planeta, aborda-se de forma diferente, não está relacionado com a personalidade mas sim com a jornada de cura que nos leva à nossa alma. É o sítio onde vamos encontrar muitos obstáculos.

A personalidade está emaranhada com os condicionamentos da vida e afasta-nos da alma. Com Quiron a nossa relação com a alma muda, transforma-se. Quiron leva-nos ao centro, entre uma vida de desejos sem limite e uma vida de restrição, ele leva-nos ao caminho do meio, ao caminho da alma, ao caminho espiritual. Onde está Quiron no mapa é onde nos sentimos exilados, estrangeiros.

Neste processo de cura é requerida solidão para nos encontrarmos e voltarmos a entrar em contacto com o mundo servindo os outros.

Quiron é um processo e não um planeta. A maneira melhor de ver Quiron é estudar todos os trânsitos e aí começarmos a senti-lo. É importante saber os pontos em que Quiron muda de direcção. Há um período de pelo menos 2 semanas por ano em que as energias são muito fortes. Quando está estacionário ou muito lento, é como um ponto de mudança da alma. Acontece sempre e será muito reforçado se fizer aspectos ao mapa natal.

O modo de abordagem ao mapa é semelhante ao que se faz com um planeta. Vê-se signo, casa e aspectos e depois escutamos, iniciamos um processo de auto-reflexão, o que nos leva em direcção à alma, vendo algo que necessita de ser visto. Torna-se necessário questionar, meditar…escutar. Tudo o que surja, seja uma emoção, sensação, pensamento, nós perguntamos o que é isto? Temos que esperar que o próprio processo nos mostre. O insight virá na altura certa, pode não ser de imediato, mas daí a 1 semana, 1 mês, 1 ano, virá quando tiver que vir e aí saberemos.

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