Quiron em Gêmeos

Quando Quiron encontra com os Dioscuros, ele separa os irmãos, não há alguém para conversar e a sensação de isolamento é profunda. Ninguém parece escutar ou entender a pessoa, e se busca desordenadamente absorver todas as informações ao redor na tentativa de compreender o mundo e ligar todos os fragmentos de pensamentos dispersos dentro de si. E assim, se perde tanto a percepção do que são pensamentos pessoais quanto do poder das palavras, deixando que padrões de pensamentos destrutivos confirmem crenças errôneas. Isso muitas vezes leva ao medo de se perder a cabeça e desenvolver algum tipo de patologia mental. Assim como Santo Agostinho teve que aprender que é impossível fazer com que o oceano caiba em um buraco na areia da praia, Quiron mostra em Gêmeos que por mais que se saiba, por mais que se compreenda, nossa cabecinha humana ainda é muito pequena para entender sequer a superfície do Infinito, mas, mesmo assim, esse é nosso principal instrumento para buscar a verdade. Ao aceitar a frustração e a dor de não poder expressar o que há de mais profundo e significativo da alma é possível conhecer o poder curador de expressar o que se sente, não para que os outros nos entendam, mas para podermos tocar a solidão dos outros com nossa expressão e pensamentos. A solidão compartilhada pode se tornar menos opressora.

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